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Processo e recurso

O que é trânsito em julgado

É a expressão que encerra o processo: a partir dela, a decisão não pode mais ser atacada por recurso. Entender quando ela acontece — e o que ainda cabe depois — é essencial para quem responde a uma ação penal.

Por Renato Paula LeiteAdvocacia Criminal6 min de leituraAtualizado em 22/10/2026

Trânsito em julgado é o momento em que uma decisão judicial se torna definitiva porque não cabe mais recurso — seja porque os prazos passaram, seja porque todos os recursos possíveis foram julgados. No processo penal, ele marca o início da execução da pena, da contagem de reincidência e da existência de antecedentes.

Este artigo explica como e quando o trânsito em julgado acontece, o que muda a partir dele e quais instrumentos ainda existem para quem considera a condenação injusta.

Resposta direta: o trânsito em julgado ocorre quando a decisão não pode mais ser modificada por recurso: ou porque nenhum recurso foi interposto no prazo, ou porque o último recurso cabível foi julgado. A partir dele, a sentença faz coisa julgada: a condenação passa a ser executada, gera antecedentes e reincidência; a absolvição impede novo processo pelo mesmo fato. Depois do trânsito, cabem apenas a revisão criminal (contra condenação) e o habeas corpus (contra ilegalidade flagrante).

Quando acontece

Para cada parte, o trânsito em julgado ocorre quando ela não pode mais recorrer. Por isso fala-se em trânsito em julgado "para a acusação" — quando o Ministério Público não apela da sentença, o que fixa a pena máxima possível e permite o cálculo da prescrição pela pena concreta — e "para a defesa". A decisão se torna definitiva quando transita para ambas. A certidão de trânsito em julgado, emitida pelo cartório, formaliza a data.

Trânsito em julgado da absolvição

Absolvição definitiva faz coisa julgada material: a pessoa não pode ser processada de novo pelo mesmo fato, ainda que surjam provas novas (a revisão criminal só existe em favor do réu). É uma das garantias mais fortes do sistema — e vale também para a absolvição sumária e para a extinção da punibilidade.

O que muda com a condenação definitiva

Condenação prestes a transitar em julgado?

Antes do trânsito, ainda há recurso; depois, a porta se estreita.

Recursos criminais →

O que ainda pode ser feito depois

A revisão criminal permite rever a condenação em hipóteses específicas — prova nova, prova falsa, decisão contrária à lei ou à evidência dos autos —, a qualquer tempo. O habeas corpus continua cabível contra ilegalidades na execução — regime mais severo que o devido, não reconhecimento de prescrição, excesso de prazo em benefícios. E na execução penal há progressão de regime, livramento condicional, remição e indulto, que modificam o cumprimento da pena sem alterar a condenação.

Condenação já definitiva?

A revisão criminal existe para o erro judiciário — e se analisa com franqueza.

Revisão criminal →

Como consultar

No sistema do tribunal (e-SAJ, no caso do TJSP), pelo número do processo, a movimentação "trânsito em julgado" indica a data. O advogado pode solicitar a certidão ao cartório. Para quem precisa comprovar que não há condenação definitiva — em concursos, empregos ou processos —, a certidão de antecedentes é o documento adequado.

Perguntas frequentes

Quanto tempo depois da sentença acontece o trânsito em julgado?

Se ninguém recorre, 5 dias após a última intimação (prazo da apelação). Se há recursos, só após o julgamento do último — o que pode levar anos.

Posso ser preso antes do trânsito em julgado?

Como execução da pena, não (exceto condenação pelo Júri). Como prisão preventiva, sim, se fundamentada concretamente.

Trânsito em julgado para a acusação: o que significa?

Que o Ministério Público não recorreu para aumentar a pena. A partir daí, a prescrição se calcula pela pena aplicada, não mais pela máxima.

Depois do trânsito em julgado a pena pode diminuir?

A condenação só muda por revisão criminal. Mas na execução a pena pode ser reduzida por remição, comutação ou indulto, e o regime pode progredir.

A condenação sai dos antecedentes algum dia?

Para fins de reincidência, deixa de contar 5 anos após o cumprimento da pena. Para antecedentes, o registro permanece, mas condenações antigas perdem relevância na dosimetria segundo o STF, e a certidão para fins civis pode ser negativa após a reabilitação.

Quem escreve: Renato Paula Leite é advogado criminalista com mais de 15 anos de atuação exclusiva no Direito Penal, graduado pela PUC-Campinas, pós-graduado em Direito Penal, membro da Comissão de Direito Penal da OAB Indaiatuba e com sustentações perante o STJ e o STF. Base em Indaiatuba, com atuação em Campinas e região.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise de um caso concreto. Cada situação tem particularidades que só podem ser avaliadas individualmente, com sigilo. Em caso de prisão ou intimação, procure orientação de um advogado.