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Processo e recurso

Quanto tempo demora um processo criminal

A lei prevê prazos curtos; a realidade varia de meses a vários anos. Entenda as fases, o que faz um processo demorar e o que a defesa pode fazer para que a demora não jogue contra o réu.

Por Renato Paula LeiteAdvocacia Criminal7 min de leituraAtualizado em 22/10/2026

"Quanto tempo isso vai durar?" é a pergunta que todo réu faz, e a resposta honesta tem duas partes: o que a lei prevê e o que acontece na prática. Pela lei, um processo comum com réu solto deveria ter audiência em 60 dias e sentença logo depois. Na prática, a primeira instância costuma levar de um a três anos, e os recursos podem dobrar esse tempo.

Este artigo percorre as fases, explica o que atrasa e mostra quando a demora pode, paradoxalmente, favorecer o réu — pela prescrição — ou prejudicá-lo, quando está preso.

Resposta direta: não há prazo único. Somando os prazos legais, um processo comum com réu solto deveria terminar em poucos meses; na prática, a primeira instância leva em média de 1 a 3 anos em comarcas do interior paulista, e os recursos ao TJSP acrescentam de 6 meses a 2 anos. Casos com réu preso têm prioridade e tramitam mais rápido. A demora injustificada com réu preso configura excesso de prazo; com réu solto, pode levar à prescrição.

As fases e os prazos previstos em lei

O que acontece na prática

Os prazos para o Estado são chamados "impróprios": o descumprimento não gera nulidade, apenas eventual responsabilização. Por isso, audiências são marcadas para meses depois do prazo legal, perícias demoram, cartas precatórias para ouvir testemunhas em outras comarcas levam meses, e réus que mudam de endereço sem avisar paralisam o processo. Na região de Campinas e Indaiatuba, um processo simples em primeira instância costuma levar de 12 a 24 meses; com vários réus ou perícias complexas, mais.

O que faz o processo demorar

O processo não anda e o réu está preso?

Excesso de prazo é fundamento para relaxar a prisão.

Habeas corpus →

O que acelera

Réu preso tem prioridade legal de tramitação. Processos com poucos réus, prova documental e testemunhas na própria comarca andam mais rápido. A defesa também influencia: arrolar testemunhas localizáveis, manter o endereço atualizado e evitar incidentes desnecessários reduz meses de espera. Por outro lado, há casos em que a estratégia é não acelerar — e a prescrição é a razão.

A demora e a prescrição

O Estado tem prazo para punir. Se o processo demora além do prazo prescricional — que varia de 3 a 20 anos conforme a pena, e é reduzido pela metade para réus menores de 21 anos na data do fato ou maiores de 70 na sentença —, a punibilidade se extingue. Entre a denúncia e a sentença e entre a sentença e o trânsito em julgado, a prescrição é contada separadamente, e a demora do Estado pode levar à extinção do processo sem condenação. O artigo sobre prescrição detalha o cálculo.

Quando o réu está preso

Aqui a lógica se inverte: cada mês de demora é um mês de prisão sem condenação. A defesa cobra a prioridade legal, aponta o excesso de prazo e, quando a instrução não anda por culpa do Estado, impetra habeas corpus para relaxar a prisão. O réu preso não deve esperar que o processo "se resolva" — a demora, para ele, é a pior das sentenças.

Dúvida sobre prescrição?

A demora do Estado pode extinguir o processo sem condenação.

Quando o crime prescreve →

Perguntas frequentes

Um processo criminal pode durar 10 anos?

Pode, em casos complexos ou com recursos aos Tribunais Superiores. Mas a prescrição limita esse tempo conforme a pena, e a defesa deve acompanhar o cálculo.

Réu preso tem o processo mais rápido?

Sim. Processos com réu preso têm prioridade legal e costumam ter audiência marcada em semanas, não meses.

Posso pedir para acelerar o processo?

A defesa pode requerer a designação de audiência, a cobrança de perícias e a priorização em casos de réu preso ou idoso. Em caso de inércia, cabe reclamação à corregedoria ou habeas corpus.

Mudar de endereço atrasa o processo?

Se o réu não comunica a mudança, as intimações falham e o processo pode ser suspenso ou o réu declarado revel. Manter o endereço atualizado é obrigação e interesse do réu.

O tempo do processo conta como pena?

Não, salvo o tempo de prisão provisória, que é descontado da pena (detração). O tempo em liberdade não é computado.

Quem escreve: Renato Paula Leite é advogado criminalista com mais de 15 anos de atuação exclusiva no Direito Penal, graduado pela PUC-Campinas, pós-graduado em Direito Penal, membro da Comissão de Direito Penal da OAB Indaiatuba e com sustentações perante o STJ e o STF. Base em Indaiatuba, com atuação em Campinas e região.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise de um caso concreto. Cada situação tem particularidades que só podem ser avaliadas individualmente, com sigilo. Em caso de prisão ou intimação, procure orientação de um advogado.