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Mandado de prisão em aberto: o que fazer

Saber que existe um mandado de prisão em aberto gera o impulso de fugir ou de se esconder. Os dois são as piores escolhas. Há caminhos técnicos para enfrentar o mandado — e eles começam por entender de onde ele vem.

Por Renato Paula LeiteAdvocacia Criminal7 min de leituraAtualizado em 22/10/2026

Um mandado de prisão em aberto é a ordem judicial de prisão ainda não cumprida. Ele pode decorrer de uma preventiva decretada em investigação, de uma condenação definitiva, de uma revogação de benefício na execução ou até de uma falha de comunicação — a pessoa compareceu, mas o sistema não registrou.

A reação instintiva é se esconder. A reação técnica é descobrir a origem do mandado e atacar a causa. Este artigo explica como consultar, os tipos de mandado e as alternativas em cada situação.

Resposta direta: diante de um mandado de prisão em aberto, o primeiro passo é identificar sua origem — preventiva, temporária, condenação ou regressão — consultando o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) por advogado. A partir daí, as alternativas são: pedir a revogação ao juiz que expediu, impetrar habeas corpus se a prisão é ilegal, ou apresentar-se espontaneamente com acompanhamento de advogado, o que afasta o risco de fuga como fundamento e permite negociar as condições. Fugir ou se esconder agrava a situação e reforça os motivos da prisão.

Como saber se há mandado

O Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), do CNJ, concentra os mandados de todo o país, e o advogado tem acesso ao sistema. Os tribunais também disponibilizam consultas processuais em que a expedição de mandado aparece na movimentação. Em caso de dúvida, consultar antes de qualquer deslocamento — uma abordagem de trânsito pode resultar em prisão.

Os tipos de mandado e o que cada um significa

Mandado de prisão em aberto?

Antes de qualquer decisão, é preciso saber de onde ele vem e o que cabe contra ele.

Revogação de prisão →

O que não fazer

Fugir, mudar de cidade sem comunicar ou se esconder: além de reforçar o fundamento da prisão (risco à aplicação da lei), pode gerar novo mandado e dificultar qualquer benefício depois. Tentar "resolver" na delegacia sem advogado. Apresentar-se sem antes conhecer a origem do mandado e as condições. Ignorar o mandado na esperança de que prescreva — a pretensão executória prescreve, mas em prazos longos.

As alternativas da defesa

Revogação: dirigida ao juiz que expediu o mandado, com demonstração de que os fundamentos não existem ou mudaram — residência, trabalho, ausência de risco. Habeas corpus: ao tribunal, quando a decisão é ilegal ou sem fundamento concreto; pode ter liminar que suspende o mandado. Apresentação espontânea: o acusado se apresenta ao juízo ou à autoridade, com advogado, após a defesa ter preparado o pedido de liberdade ou de substituição; a apresentação afasta o argumento de fuga e costuma ser bem recebida. Pedido de substituição: por domiciliar ou medidas cautelares, nas hipóteses legais.

Prisão decretada sem fundamento?

O habeas corpus com liminar pode suspender o mandado.

Habeas corpus →

Como funciona a apresentação espontânea

O advogado lê o processo, prepara o pedido de revogação ou de medidas alternativas e, de preferência, o protocola antes da apresentação. A apresentação pode ser no fórum, perante o juiz, ou na delegacia, com o advogado presente. Em caso de preventiva, a audiência de custódia é realizada e o pedido de liberdade é sustentado ali. A estratégia depende do tipo de mandado: na condenação definitiva, a apresentação organizada permite discutir o regime e, em alguns casos, cumprir a pena em domiciliar ou em regime aberto desde o início.

O que a família pode fazer

Procurar o advogado antes de qualquer contato com a polícia. Reunir documentos de residência, trabalho e vínculos. Não esconder a pessoa nem facilitar a fuga — isso pode caracterizar favorecimento pessoal, crime do art. 348 do Código Penal. Manter a calma: um mandado é uma situação jurídica com solução jurídica.

Perguntas frequentes

Como descubro se tenho mandado de prisão?

Pelo BNMP, acessível ao advogado, e pela consulta processual nos sites dos tribunais. A consulta por terceiros é limitada; o advogado faz a verificação completa.

Se eu me apresentar, vou ficar preso?

Depende do tipo de mandado e do que a defesa consegue sustentar. Na preventiva, a apresentação leva à custódia, onde a liberdade pode ser concedida. Na condenação, o regime pode permitir cumprimento em aberto ou domiciliar.

Mandado de prisão prescreve?

A pretensão executória prescreve nos prazos do art. 109 do CP, calculados pela pena aplicada, aumentados de um terço para reincidentes. São prazos longos; não é estratégia confiável.

Posso viajar com mandado em aberto?

Qualquer abordagem — rodoviária, aeroporto, blitz — resulta em prisão. O mandado é nacional.

A família pode ser presa por esconder a pessoa?

Esconder alguém com mandado pode configurar favorecimento pessoal (CP, art. 348). A lei isenta de pena ascendente, descendente, cônjuge ou irmão, mas a conduta permanece arriscada e prejudica o acusado.

Quem escreve: Renato Paula Leite é advogado criminalista com mais de 15 anos de atuação exclusiva no Direito Penal, graduado pela PUC-Campinas, pós-graduado em Direito Penal, membro da Comissão de Direito Penal da OAB Indaiatuba e com sustentações perante o STJ e o STF. Base em Indaiatuba, com atuação em Campinas e região.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise de um caso concreto. Cada situação tem particularidades que só podem ser avaliadas individualmente, com sigilo. Em caso de prisão ou intimação, procure orientação de um advogado.